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25 de out. de 2013

Abre tuas asas,
E voa longe, longe;
O mais alto que puder:
O mundo inteiro brilha apenas para ti
E se abre a teus pés.
Basta ter a coragem de pular.



10 de mar. de 2013

サンセット


Café quente,
Um bom livro.
O sino ecoando do templo distante,
A lembrar que
O caminho é um só.


--

9 de mar. de 2013

Marching

All the gods wake from their white sleep
And bloom in full pink:
I can't help bowing in awe
And offering a prayer.
--

(Plum tree at Ueno park)

26 de fev. de 2013

White solitude

Over the vast whiteness
Only silence,
The shivering of trees,
And my anxiously beating heart.


12 de fev. de 2013

Satori

Manhã ensolarada num velho mosteiro português. Pedro debruça-se no parapeito da janela de sua pequena cela, enquanto alguns fracos raios de Sol pintam no chão escuro um padrão quadriculado. Há quantos meses estaria ali já? Ele, que passara anos estudando Latim, Grego, Hebraico e Aramaico; relendo textos antiquíssimos e memorizando rituais milenares; ele, que sentia claramente o chamado divino para exercer o sagrado ministério de Cristo, sentia-se só.

Pedro sentia-se só. 

Pedro sentia-se só; e não se tratava daquele tipo de solidão que bate quando se está sozinho: era uma solidão maior, mais profunda - daquelas que poucos conheceram. Pedro sabia que o mundo fervilhava a seu redor: ouvia falar de governos e guerras, dos avanços na Medicina, dos milagres da Ciência; conhecia advogados, bancários, artistas e tinha consciência do vasto leque de possíveis caminhos que cada Homem na Terra encontrava frente a si. E, mais ainda, Pedro sabia que, enquanto esse insano mundo girava, ele estava ali - debruçado em sabedorias centenárias e ritos arcaicos; vivendo uma realidade tão diferente daquela que o resto do mundo conhecia que enchia-se de dúvidas e medos (seria ele seria capaz de compreender aos fiéis e guiá-los, mesmo vivendo em um paradigma tão distinto?). Quanta coisa estaria perdendo? Quantos sorrisos? Quantos abraços, quantos amores? Quanta vida?

(Há noites, ajoelhado em seu oratório, Pedro questionava o propósito de seu chamado. Por que ele estaria ali, vivendo voluntariamente isolado de todos, quando poderia ter escolhido uma vida comum,  algum ofício habitual, amigos e - por que não? - alguma garota bonita em sua pequena cidadezinha do interior? Já revirara os evangelhos sinópticos; já estudara as epístolas paulinas, lera Agostinho, Orígenes, Aquino - até Lutero e Calvino! - e não encontrou as respostas que buscava. Decidira então, talvez como último recurso, rezar.) 

Lá fora, no velho carvalho em frente à janela de Pedro, um sabiá começa a cantar. O jovem seminarista observa encantado, por entre as grossas grades de ferro, o pequeno animalzinho. Lágrimas tímidas rolam de seus olhos e marcam sua batina surrada. Pedro, de repente, esquecera o que é que tanto procurava; esquecera todas as perguntas e todas as respostas que esperava encontrar. Levantou-se lentamente com um sorriso (coisa que, suspeitava, seu corpo havia desaprendido), cruzou a cela e ajoelhou em seu oratório. Nunca havia sentido solidão tão plena.

(Sé do Porto. Porto, 21 de dezembro de 2012)

7 de fev. de 2013

York Minster

The Winter Evensong:
The air freezes outside. Inside,
My soul is ablaze.


(Dec 13th, 2012)
~


2 de dez. de 2012

Crystal angels

Tiny little flocks fall from the sky:
It's the first snow of the year.
"Are you ready?"
As I reply affirmatively,
A host of angels rush after me.
Suddenly Ryokan comes to my mind
And in that very moment
I can grasp the extent
Of his immeasurable foolishness;
Of his boundless Enlightenment.
As clear as snow
And as warm as my heart.






27 de jul. de 2010

The Beauty and the Beast

How can it be such a striking beauty?
With diamond eyes
That cut all the way through this uglyness
to the very heart of me.
What could I do,
But to fall for you
With all this miserable heart
Of this very dumb and empty self?
Absolutely nothing.