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25 de ago. de 2013

Restlessly

Restlessly
Looking for you
In the silence of a starless night
To the bitter cry of the cicadas
And the shine of the moonlight
I look for you
Where no one else does
And where everyone finds
Restlessly
Anxiously
Silently


31 de mar. de 2013

Pascha

Pendurado na cruz
Ele é apenas Um:
Inteiro, completo;
Sem divisões ou partes.
É um, e é três, quatro; 6 bilhões.
É o pastor homofóbico que odeia,
E o casal homosexual que ama;
O monge budista com porrete nas mãos
E o muçulmano ensanguentado caído no chão.
É o adolescente confuso e perdido
Que assassina uma família por medo;
E é o padre que lava e beija os pés desse jovem
Enquanto carrega o peso do mundo das costas.

Pendurado na cruz,
Ele é apenas Um,
Que também é três e bilhões mais:
O monge que se imola no Tibete
E os oficiais chineses que o espancam;
É o político que desvia recursos,
E a doméstica que luta por direitos trabalhistas.
É o mendigo que morre queimado,
E é também o jovem que o mata.

Quem é aquele pendurado na cruz?

É aquele que apenas É;
E é apenas um - completo, inteiro.
É você e sou eu: apenas Um
Do tamanho do Universo.

--

(Switchfoot - Twenty-four)

22 de mar. de 2013

Lenting

Clean mind, pure heart:
Touching skin, bones and marrow.
Watch the cross disappear,
As sakura trees bloom.





9 de mar. de 2013

Quack quack!

The sound of ten thousand dharmas
All echoing in small ripples
On the big, boundless, crystal lake

3 de mar. de 2013

Call me by my true names


Hoje, enquanto fazia uma das atividades mais contemplativas do mundo (lavar louça), ouvi um poema do mestre vietnamita Thich Nhat Hanh no podcast do Insight Meditation Center que me chamou bastante a atenção. É um poema escrito nos anos 80, época em que os problemas da fome e das guerrilhas na África conquistavam a mídia. Nas palavras do autor, "esse é um poema sobre três de nós. A primeira pessoa é uma garota de doze anos: um dos refugiados cruzando o Golfo de Sião em um pequeno barco que, após ser estuprada por um pirata, atirou-se ao mar. A segunda é o pirata, nascido em uma vila remota na Tailândia. E a terceira pessoa sou eu. Eu estava muito irritado, claro, mas não podia simplesmente tomar partido contra o pirata: se eu pudesse, teria sido mais fácil, mas não pude. Eu percebi que, se eu tivesse nascido em seu vilarejo e experimentado uma vida similar à dele - em termos econômicos, educacionais, etc. - seria bastante provável que eu também tivesse me tornado um pirata. Portanto, não é fácil escolher um lado. Do sofrimento, escrevi esse poema. Se chama 'me chame pelos meus nomes verdadeiros,' porque eu tenho muitos nomes e, quando me chamam por um deles, devo simplesmente dizer 'sim.'" 


Não digas que partirei amanhã:
mesmo hoje ainda estou chegando.
Olhe bem: a cada segundo estou chegando
para ser um botão num galho de primavera;
para ser um pequeno pássaro, com suas asas ainda frágeis,
aprendendo a cantar em meu novo ninho;
uma lagarta no coração de uma flor;
e uma jóia oculta numa rocha.
Eu ainda chego, para rir e para chorar;
para ter medo, e para ter esperança.
O ritmo do meu coração é o nascimento e a morte
de tudo o que vive.
Sou a libélula, metamorfoseando
sobre espelho d'água do rio.
Sou o pássaro,
que mergulha para engolí-la.
Sou o sapo nadando alegremente
nas águas límpidas de uma lagoa.
Sou a cobra-d'água,
que silenciosamente se alimenta dele.
Sou a criança da Uganda - pele e ossos;
minhas pernas, finas como varas de bambu.
Sou o mercador de armas,
vendendo a morte para a Uganda.
Sou a menina de doze anos,
refugiada em um pequeno barco,
que se joga no oceano
após ser estuprada por um pirata.
E sou o pirata:
meu coração ainda incapaz
de enxergar e amar.
Sou um membro do politburo,
com as mãos cheias de poder.
E sou o homem simples que deve pagar
seu "débito de sangue" ao seu povo,
morrendo lentamente em um campo de trabalho forçado.
Minha alegria é como a primavera: tão quente
que faz flores brotarem por toda a Terra.
Minha dor, como um rio de lágrimas
tão vasto que preenche todos os quatro oceanos.
Por favor, me chame pelos meus nomes verdadeiros,
para que eu possa ouvir todos meus gritos e gargalhadas de uma só vez;
para que eu possa perceber que minha alegria e minha dor são uma coisa só.
Por favor, me chame pelos meus nomes verdadeiros,
para que eu possa acordar,
e que a porta do meu coração
possa permanecer aberta;
a porta da compaixão.

(Thich Nhat Hanh)
--


Don't say that I will depart tomorrow --
even today I am still arriving.

Look deeply: every second I am arriving
to be a bud on a Spring branch,
to be a tiny bird, with still-fragile wings,
learning to sing in my new nest,
to be a caterpillar in the heart of a flower,
to be a jewel hiding itself in a stone.

I still arrive, in order to laugh and to cry,
to fear and to hope.

The rhythm of my heart is the birth and death
of all that is alive.

I am the mayfly metamorphosing
on the surface of the river.
And I am the bird
that swoops down to swallow the mayfly.

I am the frog swimming happily
in the clear water of a pond.
And I am the grass-snake
that silently feeds itself on the frog.

I am the child in Uganda, all skin and bones,
my legs as thin as bamboo sticks.
And I am the arms merchant,
selling deadly weapons to Uganda.

I am the twelve-year-old girl,
refugee on a small boat,
who throws herself into the ocean
after being raped by a sea pirate.
And I am the pirate,
my heart not yet capable
of seeing and loving.

I am a member of the politburo,
with plenty of power in my hands.
And I am the man who has to pay
his "debt of blood" to my people
dying slowly in a forced-labor camp.

My joy is like Spring, so warm
it makes flowers bloom all over the Earth.
My pain is like a river of tears,
so vast it fills the four oceans.

Please call me by my true names,
so I can hear all my cries and my laughter at once,
so I can see that my joy and pain are one.

Please call me by my true names,
so I can wake up,
and so the door of my heart
can be left open,
the door of compassion.



--
(Fonte: http://www.allspirit.com/names.html)

21 de nov. de 2012

3 a.m.

Sirens scream outside, far away.
Maybe another conscience going by?
Life comes and goes all the time
For what in this world never dies?

The wind blows gently, while crickets sing.
It is but a quiet Autumnal night.
Under the weak light of my lantern,
I (insomniac) decide to pour down some verses.
But, then again, what's the use of words,
When we have this warm, all-embracing silence?

13 de out. de 2012

Quem?

"Once when Jesus was praying alone and his disciples were with him, he asked them:

- Who do the crowds say I am?

They replied:

- Some say John the Baptist; others say Elijah; and still others, that one of the prophets of long ago has come back to life.

- But what about you?, Jesus asked them back, 'Who do you say I am?" (Lk 9:18-20) 



"Who do you say I am?"

29 de set. de 2012

両祖忌*

Bowing to the ancient masters
From old times,
The full moon rising up in the sky
Points to the root.
The eternal peace
And the pure mountain
Pass on the precious jewel
That shines restlessly
In this everlasting
Impermanent
World.




--
* Ryōsoki (Mourning of the two patriarchs): September 29th holds the celebration of the passing of the two founding patriarchs of the Soto Zen tradition in Japan, Zen Masters Eihei Dōgen (永平道元, d. 1253) and Keizan Jōkin (瑩山紹瑾, d. 1325). Dōgen`s last poem, written shortly before his death:

Fifty-four years lighting up the sky.
A quivering leap smashes a billion worlds.
Hah!
Entire body looks for nothing.
Living, I plunge into Yellow Springs

**

Ryōsoki (Relebrando os dois patriarcas): No dia 29 de setembro celebra-se o falecimento dos dois patriarcas fundadores da tradição Soto Zen no Japão, os Mestres de Meditação Eihei Dōgen (永平道元, f. 1253) e Keizan Jōkin (瑩山紹瑾, f. 1325). Eis o último poema de Dōgen, escrito pouco antes de seu falecimento:

Cinquenta e quatro anos iluminando o céu.
Um salto exitante esmaga bilhões de mundos.
Há!
O corpo todo não procura mais nada.
Vivo, lanço-me às Termas Amarelas.

28 de jul. de 2012

17 de jun. de 2012

悟り

泣いて
笑って
生きて

Sumiê

Um velho buda

Recriando budas

Com seus pincéis

E sua tinta de carvão

Trabalhando em sua solidão

Com toda a grande Terra

E os seres sencientes

Sob a estrela da manhã

Um velho buda

E a tinta de carvão

Do alto do templo

Do alto do templo
Um casal de corvos discutia
Mas apenas um falava
(Será que era a fêmea?)

Um velho monge passa
Carregando uma garrafa de chá,
Um sorriso e um bom dia.

Nehan

No goal
No finish line
How can there
Be a winner?
And how can there
Be a loser?

O velho corredor

O velho corredor polido
Reflete cada passo do monge
Que continua a poli-lo
Como quem lava um oceano
Se a velha madeira o reflete
Como pode o sentar
Não torná-lo buda?

17 de out. de 2010

浄賢

(Ao Giuliano-senpai
Na ocasião de sua ordenação leiga,
16.10.10)


Quando se tem os olhos transparentes
A mente permanece como um calmo lago
Imenso, eterno e imperturbável
E, nessa quietude, não há julgamentos
Na ausência de julgamentos, não surge a dualidade
Na não-dualidade, há apenas a sabedoria
Apenas a sabedoria existe
Sabedoria límpida e imaculada
Sabedoria pura.

3 de set. de 2010

A Espera

Na espera do momento perfeito
Os pequenos átimos de tempo
Escoam como moléculas de água
Pelo ar seco de inverno
Deslizando e se esgueirando
Delicadamente fugazes
Passeando pelo céu infinito
Pelo infinito da eternidade
Contida em cada segundo
Que passa desapercebido
Como a sombra de um cão guia a seu dono,
Conduzido passivamente
Enquanto vive a esperança
De abrir os olhos e andar sozinho.

11 de ago. de 2010

Damo




Há, em geral, um grande mal entendido sobre o uso de estatuetas como representação de alguma personalidade ou algum atributo em particular; especialmente aqui no Ocidente cristão. Na percepção cristã, uma estatueta é considerada uma "imagem", objeto de culto e adoração - o que vai contra os desígnios do deus cristão. Entretanto isso é apenas um grande mal entendido. Existe uma diferença notável entre o pensamento oriental e o ocidental, que deve ser levado em consideração (o que é impossível, se consideramos uma visão como "correta" - e consequentemente a outra como "errada").

No budismo Mahayana - particularmente no Zen - falamos em budas e bodhisattvas. O que são eles? Deuses? Demônios? Entidades para serem adoradas? Nada disso cabe no pensamento oriental. Essas designações são produto da análise de uma cultura com o pensamento de outra: algo fadado a interpretações errôneas.

Na foto, um boneco japonês tradicional, o damo. Esses bonecos são como o nosso "joão-bobo": são empurrados, caem e se levantam. Na cultura japonesa, é um símbolo de persistência. Ele representa o primeiro patriarca do Zen no oriente, também tido como um dos patriarcas do Kung Fu: o monge indiano Bodhidharma ("a verdade da iluminação," numa tradução literal) - 28º sucessor desde o buda Shakyamuni (o príncipe Sidarta).

Segundo a lenda, Bodhidharma teria chegado a Shaolin e ficado durante nove anos meditando em uma caverna, de frente a uma parede. Desses nove anos, sete ele teria dormido. Irritado com isso, teria arrancado suas próprias pálpebras e jogado-as no chão, do que teria brotado a erva do chá - para manter os estudantes de meditação acordados durante sua prática (por isso, Bodhidharma é também tido como patriarca do chá). Outra lenda conta que suas pernas e seus braços atrofiaram e caíram depois desse tempo todo em meditação. Disso resulta a forma do boneco japonês da figura: Um ovo, barbudo, com olhos sem pálpebra.

Exista um poema japonês que ilustra o pensamento representado pelo damo:

人生
七転び
八起き

Jinsei.
Nana kotobi
Ya oki.

Assim é a vida:
Caia sete vezes,
Levante oito.


1 de ago. de 2010

A Essência da Sabedoria Perfeita (Hannya Shingyo, 般若心經) Revisited

Releitura dos versos da Grande Sabedoria Perfeita, texto tradicional da escola Zen (assim como das demais escolas Mahayana). Não se sabe ao certo sua origem, mas o registro mais antigo remonta à China do segundo século d.C.

O texto é construído na forma de uma preleção, uma instrução de um professor a um aluno dedicado; simbolizados por dois arquétipos comuns nos cânones budistas: o boddhisattva Avalokitesvara (Kannon) - símbolo de compaixão infinita - e Shariputra (Sharishi), um discípulo de bons méritos.

Para interpretações e leituras mais tradicionais, Google it ("Sutra do Coração").

Esse texto (ou sutra) retrata a essência de tudo que é ensinado e praticado em todas as escolas budistas. Entendê-lo é como juntar pequenas pecinhas de um quebra-cabeças além do intelecto, que requer tempo e, acima de tudo, prática. Entendê-lo intelectualmente é como buscar entender o sabor de um chá por conhecer a química das ervas. Deve-se bebê-lo, sorver cada gole, sentir cada célula ser permeada, impressionada e tocada pela experiência direta de cada microlitro.

:)

~

Versos da Essência da Grande Sabedoria Perfeita
(maha prajna paramitta hridaya sutra)
Releitura da versão japonesa (摩訶般若波囉弭多心經) da tradição Zen

Aquele que ouve todos os sons do mundo toca profundamente a sabedoria perfeita,
E assim vê claramente que os cinco agregados são vazios e liberta-se de todo sofrimento.

"Ouça, filho de bons méritos: forma não distingue-se de vazio, e o vazio não distingue-se da forma;
A matéria é também vazia; e o vazio é também matéria.
O mesmo é válido para as sensações, percepções, impulsos e a consciência.

Filho de bons méritos, a natureza última de todos os fenômenos é vazia:
Não aparece e nem desaparece, não é impura e nem pura, não aumenta nem diminui

Assim, no vazio, não há matéria, nem sentimentos, percepções, impulsos ou consciência;
Não há olhos, ouvidos, língua, corpo nem mente;
Não há cor, som, odor, sabor ou toque; e nem pensamentos.
Não existem os sentidos dos olhos, ouvidos, língua, corpo, nem da mente consciente.

Não há ignorância e nem extinção desta
E assim por diante até envelhecimento e morte e nem extinção destes.
Não há sofrimento, nem origem deste;
Não há extinção deste, nem caminho para tal;
Não há sabedoria e nem ganhos, pois não há nada a ganhar.

Assim o sábio vive a perfeita sabedoria
E não há obstáculos em sua mente. Sem nenhum obstáculo, não há medo.
Eliminada a visão obscurecida, chega-se à outra margem.

Todos os grandes sábios do passado, presente e futuro praticam a sabedoria perfeita, e atingem o entendimento mais completo de todos.

Portanto, saiba que a sabedoria perfeita
É a grande expressão transcendente
A grande expressão iluminada
A mais perfeita expressão
A expressão suprema
Capaz de libertar de todo sofrimento
E é verdadeira, não falsa.
Então proclame a expressão da Sabedoria Perfeita
Viva essa expressão.
Vá, siga em frente! Continue em frente! Siga ainda mais adiante: 
Isso é iluminação."

~

15 de jul. de 2010

Mu!







Circunvendo as curvas da vida
Contornando as formas vazias
O que se encontra ali dentro?

O suspiro efêmero do agora
É o único remanescente
Do silencioso vento tempestuoso
Da insustável impermanência










13 de jul. de 2010

O portal sem portais

"Na primavera, centenas de flores;
no outono, uma lua cheia;
No verão, uma brisa refrescante;
no inverno, a neve lhe acompanhará.
Se coisas inúteis não lhe ocuparem a mente,
Qualquer estação será uma boa estação."

Esse poema foi escrito por Wumen Huikai (無門慧開), mestre zen chinês que viveu entre 1183 e 1260. Ele foi o responsável pela compilação de 48 koans (casos públicos) clássicos, publicados em sua obra "O Portal sem Portais" (The Gateless Gate, Mumonkan, 無門関). Nesse livro, todos os 48 koans são comentados e acompanhados por um verso escrito pelo mestre. Esse poema acompanha o koan intitulado "O dia-a-dia é o caminho," (caso 19) que retrata a iluminação de Joshu (Zhaozhou, monge chinês do século VII).

O verso fala mais alto que o próprio koan. Huikai resume em poucos versos toda a essência da prática, do caminho. Compreender esses poucos versos vale mais do que o livro inteiro.

:)