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26 de mar. de 2014

O Velho



“Estamos no ar”
- Alô você!!! A sua Rádio Terapia está no ar. 66,6 mhz de frequência vibratória pelas veias do seu hardware celular. Eu sou Alter Ego, a sua voz do além dial. Hoje vamos receber uma visita nada especial mas pouco bem-vinda, o coveiro das galáxias. Bom dia Dr. Escaravelho!
- Bom dia Alter, bom dia ouvintes.
- Que boas novas o Doutor nos traz, nesta manhã, nem fria, nem quente.
- Nenhuma Alter, na verdade trago uma carta de demissão.
- É... não entendi doutor Escaravelho. Eu não sou seu patrão... (risos)
- Na verdade é uma carta de demissão como um abaixo assinado. São milhões de assinaturas...
- Como assim? Fizeram um abaixo assinado para o senhor pedir demissão? (risos)
- Não Alter, a humanidade está se demitindo.
- Bomba, bomba, ouvintes!!! Daqui a pouco o Doutor Escaravelho explica. Num oferecimento de “Quimioterapia Kardec, não queremos seus cabelos, só seu espírito”, a Rádio Terapia fará um breve intervalo no seu cosmos e voltaremos com o Doutor Escaravelho, o coveiro das galáxias.
“Fora do ar”
 (nona de Beethoven de fundo) “Capitalização Genoma. Invista seus recursos em genes e concorra mensalmente a uma encarnação nórdica e prospera. Não se preocupe, no final do plano você recebe tudo o que investiu com valores corrigidos. Genoma não é uma aposta, é a resposta”.
(Como é grande o meu amor por você, Roberto Carlos de fundo) “Funerária Vida Nova, jazigos verticais, mobiliados com tudo que seu ente querido vai precisar depois da vida. Temos planos exclusivos para aposentados e pensionistas, descontados diretamente de seus benefícios”
“Estamos no ar”
- Alo você!!! Voltamos com o Doutor Escaravelho, o coveiro das galáxias que estava nos falando sobre... (interrupção)
- Não temos muito tempo, Alter, preciso passar a mensagem que me trouxe aqui. Seu microfone está cortado a partir de agora.
- Você que está me ouvindo e você que não está, (não importa, na verdade) estou aqui para comunicar sua demissão da sua vida, que aliás, você mesmo assinou e certamente nem lembra mais.
- Há milhões de anos, quando você ainda era uma bactéria inóspita, foi combinado que habitaria neste planeta, reproduzindo e transformando seu habitat. Quando já tinha condições de raciocinar, portanto podendo decidir, combinamos que se demitiria da sua existência humana se, por intervenção sua, individual ou coletivamente, o habitat fosse esculhambado, desrespeitado ou estupidamente deteriorado.
- Enfim, isso tudo já aconteceu e está acontecendo novamente. O Velho já encharcou o planeta no grande dilúvio, recomeçamos do zero e não adiantou. Sua natureza, ser humano, é má. Não tem jeito, você é incorrigível.
- Recebi esse memorando ontem, o que na conta Dele é há mil anos, determinando usar a vossa carta de demissão, com um adendo; que eu lesse o memorando no ar, não ele todo mas a parte que fala a vocês. Então, vamos acabar logo com isso, tenho um trabalho absurdo pra fazer. Vamos lá:

“Diga isso aos meus filhos:
Como vocês envelheceram... O que é uma contradição, infelizmente. Tiveram tantas oportunidades... Criaram máquinas perfeitas, extraordinárias. Imitaram-se na expectativa de imitarem seu Criador. Dividiram o espaço que era comum em continentes, países, estados, cidades, vilas, bairros, vilarejos, ruas, casas, cômodos... Tudo isso pra inverterem o que havíamos combinado, ou seja, compartilharem-se. Alguns “iguais”, criaram seitas na esperança de se religarem a Mim. Das seitas criaram dogmas, doutrinas e destas inverteram o princípio básico da comunhão, o “somos todos um” se tornou “somos todos um, pero no mucho”. Diferentes, é isso o que conseguiram se tornar. Diferentes e indiferentes e diziam como lema: Cada um por si e Deus por todos. – “Opa, me coloquem fora disto”, eu vivia dizendo. Vocês nunca prestaram atenção. Nunca me ouviam e sempre tiveram “ouvidos de ouvir”. Paciência é um de meus atributos, Me glorifiquem por isso. Toda sentença tem um ponto final, as minhas reticencias já se esgotaram, apesar dos apelos do meu Filho. Hoje é o dia do Ponto Final. Verdadeiramente voltaremos a ser Um, mas preciso confessar uma coisa, (se é que “precise” qualquer coisa) foi bom ter me experimentado em vocês. Isso mesmo. O tempo todo, em todas as situações que vocês criaram, era Eu me experimentando. Quando inventaram a pólvora, era Eu querendo me divertir, não tinha ideia que a usaria de maneiras tão estupidas, mas também era Eu, experimentando seu mal, que também era Eu, para que houvesse o bem. Não saberia amor senão houvesse ódio. Experimentei-os em vocês. Preciso agradecer por isso. Na escuridão, Eu era luz e vice-versa. Como já disse tantas vezes, apesar de vossa surdes, Eu Sou. E ponto final.”
“Fora do Ar”

12 de fev. de 2013

Satori

Manhã ensolarada num velho mosteiro português. Pedro debruça-se no parapeito da janela de sua pequena cela, enquanto alguns fracos raios de Sol pintam no chão escuro um padrão quadriculado. Há quantos meses estaria ali já? Ele, que passara anos estudando Latim, Grego, Hebraico e Aramaico; relendo textos antiquíssimos e memorizando rituais milenares; ele, que sentia claramente o chamado divino para exercer o sagrado ministério de Cristo, sentia-se só.

Pedro sentia-se só. 

Pedro sentia-se só; e não se tratava daquele tipo de solidão que bate quando se está sozinho: era uma solidão maior, mais profunda - daquelas que poucos conheceram. Pedro sabia que o mundo fervilhava a seu redor: ouvia falar de governos e guerras, dos avanços na Medicina, dos milagres da Ciência; conhecia advogados, bancários, artistas e tinha consciência do vasto leque de possíveis caminhos que cada Homem na Terra encontrava frente a si. E, mais ainda, Pedro sabia que, enquanto esse insano mundo girava, ele estava ali - debruçado em sabedorias centenárias e ritos arcaicos; vivendo uma realidade tão diferente daquela que o resto do mundo conhecia que enchia-se de dúvidas e medos (seria ele seria capaz de compreender aos fiéis e guiá-los, mesmo vivendo em um paradigma tão distinto?). Quanta coisa estaria perdendo? Quantos sorrisos? Quantos abraços, quantos amores? Quanta vida?

(Há noites, ajoelhado em seu oratório, Pedro questionava o propósito de seu chamado. Por que ele estaria ali, vivendo voluntariamente isolado de todos, quando poderia ter escolhido uma vida comum,  algum ofício habitual, amigos e - por que não? - alguma garota bonita em sua pequena cidadezinha do interior? Já revirara os evangelhos sinópticos; já estudara as epístolas paulinas, lera Agostinho, Orígenes, Aquino - até Lutero e Calvino! - e não encontrou as respostas que buscava. Decidira então, talvez como último recurso, rezar.) 

Lá fora, no velho carvalho em frente à janela de Pedro, um sabiá começa a cantar. O jovem seminarista observa encantado, por entre as grossas grades de ferro, o pequeno animalzinho. Lágrimas tímidas rolam de seus olhos e marcam sua batina surrada. Pedro, de repente, esquecera o que é que tanto procurava; esquecera todas as perguntas e todas as respostas que esperava encontrar. Levantou-se lentamente com um sorriso (coisa que, suspeitava, seu corpo havia desaprendido), cruzou a cela e ajoelhou em seu oratório. Nunca havia sentido solidão tão plena.

(Sé do Porto. Porto, 21 de dezembro de 2012)

14 de fev. de 2012

Valentim

Fim de tarde. Os bravos grilos começam a sinfonia que há de estender-se por horas noite adentro. A visão dos jardins de Hogwarts fica incrível nessa época do ano: as copas das árvores - cobertas por uma espessa camada de neve - e o gramado todo trançado pelas pegadas dos alunos formam um cenário maravilhoso ao pôr-do-Sol, que tinge toda a paisagem num tom indescritível entre alaranjado e vermelho-sangue.


"Ah, o inverno!" -- suspira o novo professor de Poções, Sr. Brown.


"Já faz tanto tempo que esse lugar faz parte da minha vida, e tanto tempo desde que pisei aqui pela última vez, exatamente nessa mesma época."


O vento sopra com força, fazendo as árvores tremerem e derrubarem parte de sua cobertura alva. Brown fora um dos melhores alunos e monitores da Corvinal, destacando-se especialmente em Poções, quando estudara em Hogwarts, há uma década.


"É, o vento do tempo sopra mais rápido do que somos capazes de perceber."


Pouca coisa havia mudado nos últimos dez anos, desde que o famoso auror Potter, ajudado por membros da extinta Ordem da Fênix, deflagrou de vez o grupo dos terríveis Comensais da Morte, à época liderados pelo grande bruxo das trevas, Tom M. Riddle (conhecido pela alcunha de "Voldemort"), na épica Batalha de Hogwarts. A escola permaneceu fechada por alguns meses para reconstrução e reformulação de seu sistema de ensino, corrompido pela influência do Ministério da Magia - então enraizado por membros dos Comensais. A maioria dos professores optou por continuar lecionando na escola, hoje dirigida pela excepcional Professora McGonagall.


Brown caminha até sua mesa e senta-se lentamente, perdido em seus pensamentos. Olha para uma carta sobre sua mesa e sorri.

"Ah, Mandy! Mandy, Mandy... Bons tempos aqueles, né? Agora ficamos velhos e sérios demais. Éramos tão bobos e tão inocentes que não nos importava o que os outros diziam, as coisas materiais, ou os problemas da vida. Aliás, que problemas? Mas a vida passa, né?" -- Brown passa os dedos devagar sobre a carta.


~~

"Argh, todo ano é esse calor maledeto! Ainda bem que os Trouxas inventaram esse tal ar .. ar .. comissionado? Enfim, esse treco que traz o inverno no meio do verão. Pelo menos não preciso ficar conjurando Invernatio a cada 15 minutos!" -- resmunga a jovem bruxa M. Granger, enviada especial do Ministério da Magia - Divisão de História e Desenvolvimento da Magia - à América do Sul.

"Granger, precisamos ir até o campus de Manacapá, verificar os papiros encontrados pela equipe do Dawner.

"Aaaahh Fields, preciso ir mesmo? Mesmo, mesmo? Ele não pode simplesmente mandar via coruja? Aquele lugar é um inferno de quente, nem Merlin aguenta!"

"Ora, vamos! Pare de reclamar e abrace a maravilha do Sol!!! Além do que, são papiros antiguíssimos! Sabe-se lá o que pode acontecer no meio da viagem. E pense nas pobres corujas, por Merlin!! Voar deeesde lá, nesse calor! Coitadinhas!" -- retrucava Fields, enquanto puxava Granger pelos braços até a porta do escritório. 


Julieta Fields e Mandy Granger estudaram História e Arte Bruxa juntas após Hogwarts. Julieta, como Mandy, era uma proeminente aluna da Grifnória. Agora, ambas trabalhavam em um projeto para identificar como a Magia se desenvolveu na América do Sul bem sob os olhos dos trouxas, que nunca deram atenção. Especialmente nessa época do ano, uma grande festa bruxa é organizada e a magia espalha-se pelo continente.


~~

"14 du Fevrier. Un altre Valentin loins de toi. Nous avons pris cette habitude je pense. C'est la vie, le   destin  , n'est?" -- Brown escrevia num papel, com sua melhor pena. "Mais je ne me plains pas, puisque juste pour savoir que tu es a quelque part, sans et saufs, est sufissant pour garder mon coeur toujour chaude et heureux."

A noite começava a cair em Hogwarts. Já era possível ouvir os uivos distantes dos lobisomens. A pena pára naquele último ponto final, e Brown decide parar de escrever. Levanta-se, veste seu casaco, pega sua varinha de cedro e fibra de asa de Dragão, e sobe até o alto das masmorras.

A Lua desponta solitária no céu, reinando sobre todas as estrelas - opacas frente à sua imponência. Lá embaixo, na Floresta Proibida, os centauros alinhados observam-na em algum tipo de ritual que, com certeza, Professor Walker saberia explicar - mas que Brown não tinha interesse algum em entender naquele momento. Dizem os antigos magos que o entendimento é o pior inimigo da magia: quando entendemos algo, ele torna-se trivial, ordinário, e perde todo e qualquer poder mágico que outrora possuíra. Há inclusive uma lenda no mundo trouxa, que afirma que os seres humanos perderam-se do Paraíso (uma espécie de lugar maravilhoso, eternamente sob efeito do perfectum illusio) quando comeram do fruto da árvore do conhecimento. Mesmo os trouxas, de alguma forma, compreendem esse fato.

"Ah, Lua!" -- suspira Brown. "Há tanta magia em você! Tanta, que até os trouxas chegam a perceber às vezes." 

"Hm, acho que hoje - só hoje - mais um feiticinho não fará muita diferença." -- Brown aponta sua varinha à Lua, concentra-se e murmura: "lepus figura".


~~

"Wah, cansei!" -- resmunga Granger, jogando-se em sua cama. "Aquele lugar é impossível de morar! Não sei como aqueles bruxos conseguiram sentir qualquer coisa além de calor ali."

"Bah, deixe de reclamar, criatura! Valeu a pena ir até lá, não? Aqueles papiros são incríveis! Acho que tem mais informação lá do que em 'Hogwarts: Uma História'!" -- respondeu Fields, empolgada com o trabalho.

"Ah, isso é. Mas, argh. Podia ser um lugar menos quente né?" -- responde Mandy, levantando-se em um pulo da cama. "Vou la fora respirar um pouco de ar fresco."

A noite estava quente lá fora também. Aliás, essa época do ano é quente em qualquer hora do dia, ali onde Mandy Granger estava. O Brasil é um país maravilhoso, e tem bruxos bastante famosos no mundo, mas pouco se conhece de sua história. Mandy estava numa região isolada, quase no meio daquele tórrido país. A vegetação rasteira, em meio à planície, fazia do lugar quase um palco gigante, sob a iluminação das estrelas e, claro, da Lua. Ouvia-se os sons dos pássaros ao longe, mas só. Não havia os uivos dos lobisomens, nem o escândalo do salgueiro lutador, ou o batuque discreto dos centauros - que Granger tanto gostava de ouvir às noites de Lua cheia, como essa. Também não havia neve, nem os farfalhares das corujas em suas jaulas, nem os passos silenciosos de alunos fugidios pelos corredores. Não havia tanta coisa de suas noites de Lua cheia preferidas. Mas havia ela, a Lua. 

"É. O tempo passa, e você continua aí em cima, né, encarando a gente. Você deve ter tanta história pra contar! Gostaria de poder extrair suas memórias e lê-las numa penseira! Com certeza seria muito mais emocionante do que qualquer uma do Beedle, o Bardo. Mas acho que isso não é possível, né? Imagino quanta gente já teria feito isso, se fosse. O máximo que podemos fazer é tentar lê-la: o que será que você pensa? Será que guarda todas as canções, todas as confissões, todos os segredos com você?" -- Mandy pára e tenta encarar a Lua, como quem olha uma obra de arte moderna trouxa e tenta entender o significado daquelas formas tortas e desproporcionais.

"Oh!! O coelho!!!" -- Exclama a bruxa, em voz alta.

[Flashback]

"Hey Mandy, o que você vê ali na Lua?" -- perguntou Nuno Brown, enquanto voavam pelo campo de Quadribol em sua Firebolt.

"Hm? Na Lua? Um monte de manchas!" -- respondeu a jovem Mandy Granger, enquanto abraçava Nuno, sob pretexto de não cair.

"O que?! 'Um monte de manchas'? Onde está sua imaginação e seu romantismo?"

"Ah..." -- retrucou a garota, cabisbaixa. "E você Nuno, consegue enxergar algo lá?"

"Hmm, vou te mostrar." -- respondeu Nuno, enquanto descia a Firebolt, pousando-a em um morro próximo ao campo. "Olhe atentamente para ela. Se você imaginar que aquela bola ali em cima é uma orelha, então você conseguirá ver um coelho! Meio torto, mas ainda assim, um coelho!"

"... um.. coelho. Olha, nem com a imaginação da Lovegood eu conseguiria enxergar um coelho ali! O máximo que eu consigo ver é, talvez, com um pouco de exagero, uma cara de um rato - daqueles de programas infantis de trouxas." -- contestou Mandy, emburrada.

"Um rato?! Poxa, seu romantismo é tocante!" -- disse Nuno, rindo e abraçando a garota.

"Ha - ha - ha. Como se coelhos tivessem algo a mais de romântico que ratos!" -- replicou Mandy, cruzando os braços e fechando a cara.

"É... bem... Mas, convenhamos, poucos animais são menos românticos que ratos! Talvez basiliscos, ou aranhas, ou dragões. Coelhos são animais bonitinhos e simpáticos! Os trouxas até os têm como bichos de estimação!"

"Sim, mas eles também têm ratos como bichos de estimação!!"

"Erm. Bom, os trouxas são seres estranhos, né..." -- retrucou Nuno, coçando a cabeça desconcertado. "Mas enfim! Hoje é uma noite especial, e por isso eu te trouxe aqui! Feche os olhos!"

"Hein? Noite esp... AH! Hoje é o Valentine's Day, né!! Puxa, eu nem me lembrei! Argh, eu PRECISO melhorar esse meu problema com datas! Mas, o que você tem pra mim?!"

"É, é, eu não esperava que você lembrasse. Ano passado você esqueceu nosso primeiro aniversário de namoro, e o MEU aniversário! Mas, enfim, feche os olhos. Maintenant!"

Mandy fechou os olhos, depois de murmurar um "ops!" silencioso. Nuno sussurou algo praticamente inaudível e pediu para a garota abrir os olhos. Em sua frente, no meio do campo de Quadribol, um coelho gigante segurava um rojão, que explodiu no céu e o transformou num enorme coração vermelho com as iniciais dos dois. Enquanto olhava as iniciais desaparecerem lentamente, Mandy olhou novamente para a Lua.

"AH!!! EU VI O COELHO!!!" -- gritou, empolgada.

"Bom, um coelho desse tamanho, se você não visse..." -- replicou Nuno, rindo.

"Não, sua mandrágora! O coelho na Lua! Eu o vi agora!!!"

"Aah! Viu só! É só ter um pouquinho de imaginação que dá pra ver até Merlin lá!"

Os dois riram e ficaram ali por mais um bom tempo, abraçados, ouvindo os sons da floresta, e aproveitando a luz do luar, como se fosse o último dia de suas vidas; e como se não fosse acabar nunca.

[Fim do Flashback]

"O.. coelho.." -- murmurou Mandy, sentindo um sorriso esboçar-se e algo quente escorrendo por seu rosto. "Hein? Estou chorando? Eu, Mandy Granger, chorando?! Devo ter sido enfeitiçada, só pode!"

Mandy ficou ali por um longo tempo olhando para a Lua e rindo sozinha, relembrando de um passado  meio distante, enquanto algumas lágrimas de nostalgia rolavam timidamente, contornavam as covinhas modestas de seu rosto e caiam em seu colo. O som de uma coruja, ao longe, a trouxe de volta o presente. A coruja pousou em seu braço e lhe entregou a carta que viera de Hogwarts. Mandy abriu a carta com sua varinha e, para sua surpresa, ela rodopiou no ar e explodiu, fazendo aparecer um coelho no céu e as iniciais M&N.

"Hahaha. Ai ai, tu é uma figura mesmo, Nuno. Tem coisas que nunca mudam, né?" -- sorria a  garota, enquanto pegava um dos fragmentos da carta que explodira. "'... toujour chaude et heureux.' É, algumas coisas nunca mudam. Você nunca vai aprender que toujours tem um -s no final, né? É uma mandrágora mesmo!" -- ria sozinha a garota.

Lá de cima, a Lua observava calada a história que se desenrolava sob sua face. Cá pra mim, tenho certeza de que, se pudesse, ela estaria sorrindo também. Ou talvez esteja. Se você olhar bem, dá pra ver um sorriso enorme nela. :)



18 de nov. de 2011

Voando


Final de tarde. O vento sopra com delicadeza, arrepiando as folhas das árvores que avermelham-se lentamente rumo à morte. Li senta-se após uma tarde de treinamentos e observa, do alto de seu templo, a aquarela de cores pintadas no horizonte: o azul do céu tingido pelo alaranjado das nuvens, e o degradê incrível nas montanhas, cuja densa vegetação pincela a paisagem com algum e qualquer tom entre verde e vermelho.


O outono é uma estação maravilhosa (como todas as outras estações) na Ásia e, em particular, ali naquelas montanhas perdidas no meio do continente. É o momento em que as mudanças na Natureza, que ocorrem a todo instante, são mais perceptíveis ao cego olhar humano. A força e a robustez que as árvores esbanjam no verão tornam-se apenas uma sombra distante da seca e frágil imagem que exibem no inverno; e essa intensa mudança ocorre num breve espaço de um ou dois meses. "Tudo passa tão rápido," ele pensa. "E, contudo, é nesse curto espaço que a vida acontece. As folhas nascem, crescem, oferecem sua sombra no verão, e morrem; tudo isso em poucos meses. Perto delas, somos praticamente imortais."

Uma brisa mais intensa sopra, e uma folha cai aos seus pés. O jovem guerreiro observa o cair da folha com um certo ar de reverência. Delicadamente, a toma em suas mãos e perde-se em seus pensamentos. Olha para o leste, com os olhos além das montanhas e muito além do oceano. "O frio está chegando. Espero que você esteja cuidando-se direito."  Larga a folha seca, que rodopia lentamente no ar, antes de ser arrastada para longe por uma outra soprada do destino.

~

A quilômetros dali - numa terra muito, muito distante - uma jovem mulher corre apressada para acertar os últimos detalhes de seu último trabalho. "Não é possível! O que aconteceu com aquele arquivo?! Eu passei a semana inteira editando aquela porcaria, e agora sumiu assim?!?" bradava, em alguma coisa similar a desespero e indignação. "E de onde veio esse frio de inverno?" resmungou, enquanto se abraçava na vã tentativa de manter-se aquecida. "Ah, achei!! Bom, posso ir embora agora!".


Um vento forte corria pelos corredores abertos da Universidade, fazendo do caminho da sala até a parada do ônibus um desafio à parte naquela tarde. Kinomoto sentou-se encolhida no banco da plataforma enquanto esperava o demorado transporte chegar. Após uma trégua de poucos minutos, um pé-de-vento soprou com força, fazendo seus cabelos esvoaçarem e tamparem-lhe a vista, fazendo um arrepio - daqueles que vêm do âmago da alma - subir correndo por sua espinha. "Droga! Eu devia ter trazido uma blusa, um cachecol, ou algo assim. Ai ai, eu nunca aprendo mesmo." Arrumando os cabelos, a garota notou algo enroscado ali. Após um segundo de pânico indescritível (seguido de um grito abafado), percebeu que tratava-se apenas de uma folha e riu sozinha de sua atitude precipitada.


"Nossa, que folha diferente!" - pensou, após o árduo trabalho de desenroscá-la. Olhou em redor e procurou a árvore de onde ela poderia ter vindo, mas não a encontrou. Por alguma razão, que ela não sabia apontar naquele momento, aquela folha lhe fez lembrar um velho amor do passado. Sentiu um calorzinho aquecendo o peito. Naquele momento, não sentia mais frio. Sorriu e lançou a folha novamente aos ventos do destino.

15 de jul. de 2011

O último

"Há quanto tempo, né!" - perguntava o rapaz, já moço crescido, à mulher ao seu lado.

"É.. Nem consigo mais lembrar onde tudo começou!" - responde sorrindo, a outrora menina da franja colorida.

"Ah, claro! Você sempre foi ruim com datas e ocasiões especiais... Disso eu lembro muito bem!"

Nuno e Mandy conheceram-se ali, naquela mesma escola, que hoje oferecia sua última festa aos alunos. Ele, Ravenclaw, dominava feitiços; ela, Gryffindor, era exímia guerreira.

É um fim de tarde agradável. Mesmo os ruídos da Floresta Proibida parecem mais calmos. Entre os jardins, um velho banco de madeira.

"Olha só! E não é que esse banco ainda existe?!" - comentou Nuno, sorrindo e correndo os dedos pelo banco. "Lembra dele??"

"Claro, né! Como poderia esquecer? Continua lindo e romântico! Imagino quantos casaizinhos já se formaram aqui também."

"Passamos noites e dias aqui, olhando as estrelas, estudando, rindo..."

"... falando mal dos professores, matando aulas..." - completou Mandy, sorrindo e bagunçando os cabelos de Nuno.

"Mas agora acabou, né? Hoje eles fecham os portões para sempre. Será que nossos filhos um dia conhecerão esse lugar onde crescemos e suas histórias fantásticas; ou se tornará mais uma dessas lendas esquecidas no passado? Aprendemos tanto aqui! Conhecemos gente incrível, descobrimos sentimentos; choramos, sorrimos, sentimos raiva, desespero, angústia! Aprendemos a voar sem asas, e descobrimos que a magia mais importante de todas está entre nós, e aprendemos a sentí-la. Crescemos..."

Mandy senta-se no banco ao lado de Nuno e põe-se a olhar o céu azul de fim de tarde. A lua já desponta lá no alto.

"Vai ser uma linda noite de lua cheia! Se dermos sorte, poderemos ouvir o uivo dos lobisomens!!" - exclamou, excitada.

"... Você é incrível." - disse o rapaz, olhando incrédulo a moça sorridente ao seu lado.
"Eu sei!"

Ela se levanta em um salto, pega uma das mãos de Nuno, e parte correndo puxando-o, pela última vez, pelos jardins de Hogwarts. A brisa fresca e o vermelho do Sol ofuscam os olhos. Uma lágrima solitária reflete o céu azul.

11 de jul. de 2010

Floco de Neve

Sete e meia da noite. A luz começava a desaparecer e o céu assumia tons variados de azul enegrecido. Como era inverno, a temperatura ia caindo aos poucos com a descida do Sol, e já se aproximava dos 5 °C. Na montanhosa região de Wudang (em Hubei, China), onde se encontra o Templo da Nuvem Roxa, o clima não é muito agradável: as correntes eólicas que passam por lá, somados à névoa característica da região elevada e à própria altitude parecem mais um obstáculo a ser vencido por aqueles que anseiam ser verdadeiros guerreiros. Muitos morreram ali. Morreram de frio, de fome; morreram lutando, com espadas cruzando seus peitos ou machados decepando seus membros. Muitos morreram envenenados, vítimas da inveja de guerreiros derrotados, ou vítimas de conflitos entre clãs rivais. Syaoran sabia de tudo isso. Ele sabia desde o começo o que lhe esperava quando decidiu aperfeiçoar sua magia e sua habilidade marcial indo ao Templo da Nuvem Roxa.

A sessão de meditação sentada acabara de terminar, após uma longa e exaustiva série de exercícios de fortalecimento do qi: se ele queria ser um guerreiro com maestria na magia, teria que trabalhar bastante seu qi e sua mente.

Em seus aposentos, o rapaz chinês – na casa dos vinte e tantos anos – se deixa jogar no velho colchão de palha de arroz duro e surrado. Olha para o teto e para as paredes de pedra, que lá estão desde 1413. Observa alguns talhos e buracos nas paredes, alguns ideogramas antigos que ele desiste de compreender, após algum esforço inicial. Provavelmente são heranças de guerreiros que passaram por ali ao longo desses seis séculos. Fica imaginando que tipo de homens já passaram por ali: quantos haviam abandonado famílias para perseguir seus objetivos? E se lembrou daqueles doces olhos verdes e sorriu. Sorriu um sorriso nostálgico, daqueles que vêm acompanhados por um olhar distante e mareado. Levantou-se e debruçou-se na janela. Podia ver a beleza dos olhos de Sakura quando observava, à meia luz do pôr-do-sol, o verde escurecido das florestas que cresciam nos pés das montanhas. O som calmo e pacífico da natureza e o tom esverdeado faziam a combinação perfeita que traziam as melhores lembranças de sua infância à tona. Ele se deixou ficar ali até a escuridão tomar a paisagem e os sinos do templo anunciarem a hora de dormir. Após um longo suspiro, que se liquefizera em uma névoa - já que a temperatura caíra consideravelmente - e um sorriso delicado, Syaoran deitou-se e adormeceu balbuciando sorrindo "Eu te amo. Para sempre."

O inverno era realmente detestável por ali. A neve já começava a cair novamente. Neve. Um floco de neve aderira-se ao vidro da janela. Sakura chegou mais perto do vidro para observá-lo: um floco de neve sempre tem formatos bem peculiares e interessantes. Dizem que o formato do floco é capaz de refletir as emoções de quem o carrega. Ao chegar mais perto para vê-lo, o vidro se embaçou com sua respiração quente. "Mas que droga! Eu nunca aprendo!", resmungou a garota para si mesma. Ela abriu a janela e deixou o ar frio entrar (o que lhe rendeu uns bons calafrios). Respirou profundamente e olhou para longe. A paisagem ainda era a mesma de alguns anos atrás: uma rua pacata, uma cidade pouco movimentada. Tomoeda não mudara tanto nos últimos 10 anos. Sua casa continuava a mesma; com exceção do seu quarto que havia mudado um pouco, afinal não havia mais porque ter aquele monte de brinquedo espalhado: ela já era uma mulher; e sua cama também havia de mudar, já que ela cresceu um bocado.

Sakura ficou alguns instantes de olhos fechados sentindo a brisa gelada que vinha do oeste. Ela adorava essa brisa. Parecia carregar um odor de hortelã, que sempre a lembrava do rapaz que tomou seu coração na adolescência. Apesar da expressão normalmente fechada, havia algo nos olhos castanho-avermelhados do rapaz que a atraíram. Ela gostava de quando ele lhe escrevia ideogramas complicados e lhe explicava em detalhes cada pedacinho, e ficava fascinada com a facilidade que o garoto tinha de lembrar as mais variadas e interessantes histórias da China. As habilidades que ele tinha com a espada, seu sotaque japonês arrastado, o modo como ele detestava que o corrigissem e o sorriso vitorioso que ele tinha quando ganhava alguma aposta dela. No momento daquele sorriso, ela esquecia de toda raiva que sentia por perder e seu coração sentia um calorzinho diferente. Gostava de bagunçar seu cabelo metodicamente arrumado, só para vê-lo resmungar e perder o controle: ele ficava bem charmoso quando perdia a linha. E ela adorava os abraços que ele lhe dava para protegê-la de noites frias, como essa. Ou dos beijos que ele vinha correndo a noite lhe dar antes de dormir, com aquele gosto de hortelã de sua pasta de dentes caseira.

Ela respirou mais um vez, bem fundo, pela boca, e sentiu o ar gelado preenchendo sua via respiratória, e sentiu o cheiro e o sabor adocicado e refrescante da hortelã. Sorriu uma vez mais, enquanto seus olhos mareavam. Fechou a vidraça, e deitou-se sorrindo na cama. Cobriu-se e se aconchegou sob o edredon pesado. Lembrou-se de que toda noite, depois que ela deitava e se cobria, Syaoran batia novamente na janela, e sussurrava algo por entre a frestinha que restava entreaberta. E ela sempre respondia. Abriu então um sorriso largo, abraçou um velho ursinho que ele havia lhe dado e sussurrou: "Eu também. Para sempre."

--
(Janeiro, 2010)

8 de jun. de 2010

C.J. 1 Parte 1: O plano Geral


Capítulo 1 - POR FORA.

“Maldita máquina” Gritou Steve Coulanges pela quinta vez consecutiva no dia. A tal maldita máquina não lhe deu resposta – evidentemente. Era a milésima vez que tentava fazer a máquina – cruelmente tratada e difamada – funcionar.

O mini-robô-passa-roupas (MRPR – modelo X300) – comprado pelo mesmo motivo que os outros objetos tecnologicamente novos de Steve, ou seja, para enquadrar Coulanges na “Cidade” – não tinha culpa.

“Dessa vez eu consigo”disse Coulanges como dissera incontáveis vezes “Não tem como dar errado”reforçou o pensamento – tentando convencer a si mesmo que conseguiria o que de fato jamais conseguiu.

Já na primeira semana: “maldita máquina”disse Steve quando o MRPR X300 queimou uma de suas camisas preferidas. “De novo?”questionou Steve ao ser eletrônico sem mente quando este queimou uma segunda camisa.

Na segunda semana, já cansado da máquina, dava tapas e pontapés, transtornando-se cada vez mais com sua incapacidade. Desta vez estava atrasado para o trabalho – pois teve de ficar passando sua camisa em lugar do MRPR X300.

Já fora de casa – um buraco simples no setor leste subterrâneo da “Cidade” – ele se dirige a um dos “caminhos de raios” próximos, no sentido “TPQDP II”, próximo ao seu local de trabalho: A “Grande Biblioteca” – que nada mais era do que um micro prédio de 90m de altura ao lado do Dikasterion Central – prédio judicial central da cidade (um edifício de míseros 230m de altura).

De toda a cidade, apenas o setor leste mantinha aquilo que se convencionou chamar subterrâneo. Todos os outros setores mantinham um diferencial de pelo menos 100m de altura em relação a ele. Fato muito aceito, apesar de negado pelas altas instâncias do governo, é o de que, de todos os setores, os que mais destacavam eram os mais altos em relação ao Leste (o que é paradoxal e levanta a questão de qual é o mais importante ou visado, mas isso sempre foi pouco pensado pelos cidadãos – mesmo nos tempos antigos, na era de metal).

Por culpa dessa variação de altitude na “Cidade”, o melhor meio de transporte surgido foi o Caminho de Raios. Era uma linha metálica desenhada por toda a cidade, com muitas curvas e desníveis, às vezes por baixo, às vezes por cima, por onde uma trilha de raios se deslocava e, deslocando-se, permitiam a movimentação de dezenas de carros unitários com vários destinos diferentes, acionados por um toque do “PHANTOM” de cada um – e é claro, Steve Coulanges não tinha um...

1 de mai. de 2010

C.J. 1 - Introdução

"Maldita máquina!" Disse Coulanges pelo quinto dia consecutivo de tentativas em fazer funcionar o micro-robô passa-roupas que havia comprado na semana.

Steve Coulanges era um perdido... Estava num mundo que não compreendia. Tentava se adaptar às novas tecnologias, procurava sempre desvendar os segredos do tal "mundo novo" - título de um livro bem antigo que lera.

Diz-se ser comum uma pessoa idosa não se dar bem com novas idéias, quanto mais tecnologias, contudo, Coulanges não era um velho, nem perto disso. Steve era um rapazote de 19 de anos, extremamente competente e talentoso. Sempre disse para sí mesmo que seria, um dia, um dos maiores especialistas em tecnologia do mundo - só que isso era promessa velha, fazia-a desde os 12 anos, quando tudo começou.

"Desta vez eu vou me adaptar" Repetiu, no dia em que comprou o tal "maldito" robô, a mesma frase que dizia desde que chegou à "Cidade" há dez anos."Eu não entendo" outra das frases comumente ditas horas depois...

O engraçado é que Steve, e ele não sabia, seria um dia muito do que um dia sonhou, entretanto, os sonhos que seriam atingidos eram mais antigos, tão antigos que Coulanges nem lembrava. Esperanças que dividia com seu pai, um pai que há 10 anos não via e cujas ações foram decisivas para este futuro...

O baú das almas

Não veio um anjo torto me pedir pra ser gauche na vida, (como aconteceu com o poeta maior) quando eu nasci.

Nasci na final de uma Copa do Mundo e meu pai quase pula, num grito que deu, do andar em que estava na maternidade, não porque eu tenha nascido é que tinha saído o gol do Brasil e era o do título... Pelo menos foi um bom começo... Já nasci bi-campeão.

Não sei se escrevo as coisas que vejo e sinto, ou se as descrevo. As vezes tenho a sensação de observador apenas, ali na minha frente, um holograma de outra dimensão me dita versos e procuro transcreve-los, como um bom aluno. Depois guardo num baú. Um baú de almas holográficas, que de vez quando solto pra me contarem suas verdades mentirosas ou suas mentiras sérias.

Não aprendi o lado pratico da vida, como, trocar fusível, comprar transformador, rebocar parede, etc. Acho pouco pratico o lado pratico da vida, a não ser pelo fato de que é muito mais fácil cozinhar miojo que feijão, até porque, jamais aprenderia a cozinhar feijão.
As coisas acontecem porque, de alguma forma, precisam acontecer do jeito e no momento que acontecem.
De repente você passa por uma curiosa situação atemporal que o faz pensar que você já esteve neste lugar, nesta mesma cena, com este mesmo clima e mesmas pessoas. Você só não entende porque este instante voltou ou quando foi exatamente que ele ocorreu. Não é assim? Existem algumas explicações que não vem ao caso; o que realmente incomoda é a memória de algo que ainda está pra acontecer. Não há como antecipar o que passou, simplesmente as coisas se acomodam porque as colocamos ali e de uma maneira ou de outra, elas vão se manifestar.

Só sei mesmo é o que acredito. Deus está no controle então, cuidado quando for mudar de canal.

© Dirceu Ramos in “O baú das almas”

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