26 de mar. de 2014
O Velho
12 de fev. de 2013
Satori
14 de fev. de 2012
Valentim
"Ah, o inverno!" -- suspira o novo professor de Poções, Sr. Brown.
"Já faz tanto tempo que esse lugar faz parte da minha vida, e tanto tempo desde que pisei aqui pela última vez, exatamente nessa mesma época."
O vento sopra com força, fazendo as árvores tremerem e derrubarem parte de sua cobertura alva. Brown fora um dos melhores alunos e monitores da Corvinal, destacando-se especialmente em Poções, quando estudara em Hogwarts, há uma década.
"É, o vento do tempo sopra mais rápido do que somos capazes de perceber."
Pouca coisa havia mudado nos últimos dez anos, desde que o famoso auror Potter, ajudado por membros da extinta Ordem da Fênix, deflagrou de vez o grupo dos terríveis Comensais da Morte, à época liderados pelo grande bruxo das trevas, Tom M. Riddle (conhecido pela alcunha de "Voldemort"), na épica Batalha de Hogwarts. A escola permaneceu fechada por alguns meses para reconstrução e reformulação de seu sistema de ensino, corrompido pela influência do Ministério da Magia - então enraizado por membros dos Comensais. A maioria dos professores optou por continuar lecionando na escola, hoje dirigida pela excepcional Professora McGonagall.
Brown caminha até sua mesa e senta-se lentamente, perdido em seus pensamentos. Olha para uma carta sobre sua mesa e sorri.
Julieta Fields e Mandy Granger estudaram História e Arte Bruxa juntas após Hogwarts. Julieta, como Mandy, era uma proeminente aluna da Grifnória. Agora, ambas trabalhavam em um projeto para identificar como a Magia se desenvolveu na América do Sul bem sob os olhos dos trouxas, que nunca deram atenção. Especialmente nessa época do ano, uma grande festa bruxa é organizada e a magia espalha-se pelo continente.
"Bah, deixe de reclamar, criatura! Valeu a pena ir até lá, não? Aqueles papiros são incríveis! Acho que tem mais informação lá do que em 'Hogwarts: Uma História'!" -- respondeu Fields, empolgada com o trabalho.
A noite estava quente lá fora também. Aliás, essa época do ano é quente em qualquer hora do dia, ali onde Mandy Granger estava. O Brasil é um país maravilhoso, e tem bruxos bastante famosos no mundo, mas pouco se conhece de sua história. Mandy estava numa região isolada, quase no meio daquele tórrido país. A vegetação rasteira, em meio à planície, fazia do lugar quase um palco gigante, sob a iluminação das estrelas e, claro, da Lua. Ouvia-se os sons dos pássaros ao longe, mas só. Não havia os uivos dos lobisomens, nem o escândalo do salgueiro lutador, ou o batuque discreto dos centauros - que Granger tanto gostava de ouvir às noites de Lua cheia, como essa. Também não havia neve, nem os farfalhares das corujas em suas jaulas, nem os passos silenciosos de alunos fugidios pelos corredores. Não havia tanta coisa de suas noites de Lua cheia preferidas. Mas havia ela, a Lua.
[Flashback]
"Hey Mandy, o que você vê ali na Lua?" -- perguntou Nuno Brown, enquanto voavam pelo campo de Quadribol em sua Firebolt.
"Hm? Na Lua? Um monte de manchas!" -- respondeu a jovem Mandy Granger, enquanto abraçava Nuno, sob pretexto de não cair.
"O que?! 'Um monte de manchas'? Onde está sua imaginação e seu romantismo?"
"Ah..." -- retrucou a garota, cabisbaixa. "E você Nuno, consegue enxergar algo lá?"
"Hmm, vou te mostrar." -- respondeu Nuno, enquanto descia a Firebolt, pousando-a em um morro próximo ao campo. "Olhe atentamente para ela. Se você imaginar que aquela bola ali em cima é uma orelha, então você conseguirá ver um coelho! Meio torto, mas ainda assim, um coelho!"
"... um.. coelho. Olha, nem com a imaginação da Lovegood eu conseguiria enxergar um coelho ali! O máximo que eu consigo ver é, talvez, com um pouco de exagero, uma cara de um rato - daqueles de programas infantis de trouxas." -- contestou Mandy, emburrada.
"Ha - ha - ha. Como se coelhos tivessem algo a mais de romântico que ratos!" -- replicou Mandy, cruzando os braços e fechando a cara.
"Sim, mas eles também têm ratos como bichos de estimação!!"
"Erm. Bom, os trouxas são seres estranhos, né..." -- retrucou Nuno, coçando a cabeça desconcertado. "Mas enfim! Hoje é uma noite especial, e por isso eu te trouxe aqui! Feche os olhos!"
"É, é, eu não esperava que você lembrasse. Ano passado você esqueceu nosso primeiro aniversário de namoro, e o MEU aniversário! Mas, enfim, feche os olhos. Maintenant!"
"AH!!! EU VI O COELHO!!!" -- gritou, empolgada.
"Bom, um coelho desse tamanho, se você não visse..." -- replicou Nuno, rindo.
"Não, sua mandrágora! O coelho na Lua! Eu o vi agora!!!"
"Aah! Viu só! É só ter um pouquinho de imaginação que dá pra ver até Merlin lá!"
Os dois riram e ficaram ali por mais um bom tempo, abraçados, ouvindo os sons da floresta, e aproveitando a luz do luar, como se fosse o último dia de suas vidas; e como se não fosse acabar nunca.
"Hahaha. Ai ai, tu é uma figura mesmo, Nuno. Tem coisas que nunca mudam, né?" -- sorria a garota, enquanto pegava um dos fragmentos da carta que explodira. "'... toujour chaude et heureux.' É, algumas coisas nunca mudam. Você nunca vai aprender que toujours tem um -s no final, né? É uma mandrágora mesmo!" -- ria sozinha a garota.
Lá de cima, a Lua observava calada a história que se desenrolava sob sua face. Cá pra mim, tenho certeza de que, se pudesse, ela estaria sorrindo também. Ou talvez esteja. Se você olhar bem, dá pra ver um sorriso enorme nela. :)
18 de nov. de 2011
Voando
15 de jul. de 2011
O último
"É.. Nem consigo mais lembrar onde tudo começou!" - responde sorrindo, a outrora menina da franja colorida.
"Ah, claro! Você sempre foi ruim com datas e ocasiões especiais... Disso eu lembro muito bem!"
Nuno e Mandy conheceram-se ali, naquela mesma escola, que hoje oferecia sua última festa aos alunos. Ele, Ravenclaw, dominava feitiços; ela, Gryffindor, era exímia guerreira.
É um fim de tarde agradável. Mesmo os ruídos da Floresta Proibida parecem mais calmos. Entre os jardins, um velho banco de madeira.
"Olha só! E não é que esse banco ainda existe?!" - comentou Nuno, sorrindo e correndo os dedos pelo banco. "Lembra dele??"
"Claro, né! Como poderia esquecer? Continua lindo e romântico! Imagino quantos casaizinhos já se formaram aqui também."
"Passamos noites e dias aqui, olhando as estrelas, estudando, rindo..."
"... falando mal dos professores, matando aulas..." - completou Mandy, sorrindo e bagunçando os cabelos de Nuno.
"Mas agora acabou, né? Hoje eles fecham os portões para sempre. Será que nossos filhos um dia conhecerão esse lugar onde crescemos e suas histórias fantásticas; ou se tornará mais uma dessas lendas esquecidas no passado? Aprendemos tanto aqui! Conhecemos gente incrível, descobrimos sentimentos; choramos, sorrimos, sentimos raiva, desespero, angústia! Aprendemos a voar sem asas, e descobrimos que a magia mais importante de todas está entre nós, e aprendemos a sentí-la. Crescemos..."
Mandy senta-se no banco ao lado de Nuno e põe-se a olhar o céu azul de fim de tarde. A lua já desponta lá no alto.
"Vai ser uma linda noite de lua cheia! Se dermos sorte, poderemos ouvir o uivo dos lobisomens!!" - exclamou, excitada.
"... Você é incrível." - disse o rapaz, olhando incrédulo a moça sorridente ao seu lado.
"Eu sei!"
Ela se levanta em um salto, pega uma das mãos de Nuno, e parte correndo puxando-o, pela última vez, pelos jardins de Hogwarts. A brisa fresca e o vermelho do Sol ofuscam os olhos. Uma lágrima solitária reflete o céu azul.
11 de jul. de 2010
Floco de Neve
8 de jun. de 2010
C.J. 1 Parte 1: O plano Geral
“Maldita máquina” Gritou Steve Coulanges pela quinta vez consecutiva no dia. A tal maldita máquina não lhe deu resposta – evidentemente. Era a milésima vez que tentava fazer a máquina – cruelmente tratada e difamada – funcionar.
O mini-robô-passa-roupas (MRPR – modelo X300) – comprado pelo mesmo motivo que os outros objetos tecnologicamente novos de Steve, ou seja, para enquadrar Coulanges na “Cidade” – não tinha culpa.
“Dessa vez eu consigo”disse Coulanges como dissera incontáveis vezes “Não tem como dar errado”reforçou o pensamento – tentando convencer a si mesmo que conseguiria o que de fato jamais conseguiu.
Já na primeira semana: “maldita máquina”disse Steve quando o MRPR X300 queimou uma de suas camisas preferidas. “De novo?”questionou Steve ao ser eletrônico sem mente quando este queimou uma segunda camisa.
Na segunda semana, já cansado da máquina, dava tapas e pontapés, transtornando-se cada vez mais com sua incapacidade. Desta vez estava atrasado para o trabalho – pois teve de ficar passando sua camisa em lugar do MRPR X300.
Já fora de casa – um buraco simples no setor leste subterrâneo da “Cidade” – ele se dirige a um dos “caminhos de raios” próximos, no sentido “TPQDP II”, próximo ao seu local de trabalho: A “Grande Biblioteca” – que nada mais era do que um micro prédio de 90m de altura ao lado do Dikasterion Central – prédio judicial central da cidade (um edifício de míseros 230m de altura).
De toda a cidade, apenas o setor leste mantinha aquilo que se convencionou chamar subterrâneo. Todos os outros setores mantinham um diferencial de pelo menos 100m de altura em relação a ele. Fato muito aceito, apesar de negado pelas altas instâncias do governo, é o de que, de todos os setores, os que mais destacavam eram os mais altos em relação ao Leste (o que é paradoxal e levanta a questão de qual é o mais importante ou visado, mas isso sempre foi pouco pensado pelos cidadãos – mesmo nos tempos antigos, na era de metal).
Por culpa dessa variação de altitude na “Cidade”, o melhor meio de transporte surgido foi o Caminho de Raios. Era uma linha metálica desenhada por toda a cidade, com muitas curvas e desníveis, às vezes por baixo, às vezes por cima, por onde uma trilha de raios se deslocava e, deslocando-se, permitiam a movimentação de dezenas de carros unitários com vários destinos diferentes, acionados por um toque do “PHANTOM” de cada um – e é claro, Steve Coulanges não tinha um...
1 de mai. de 2010
C.J. 1 - Introdução
Steve Coulanges era um perdido... Estava num mundo que não compreendia. Tentava se adaptar às novas tecnologias, procurava sempre desvendar os segredos do tal "mundo novo" - título de um livro bem antigo que lera.
Diz-se ser comum uma pessoa idosa não se dar bem com novas idéias, quanto mais tecnologias, contudo, Coulanges não era um velho, nem perto disso. Steve era um rapazote de 19 de anos, extremamente competente e talentoso. Sempre disse para sí mesmo que seria, um dia, um dos maiores especialistas em tecnologia do mundo - só que isso era promessa velha, fazia-a desde os 12 anos, quando tudo começou.
"Desta vez eu vou me adaptar" Repetiu, no dia em que comprou o tal "maldito" robô, a mesma frase que dizia desde que chegou à "Cidade" há dez anos."Eu não entendo" outra das frases comumente ditas horas depois...
O engraçado é que Steve, e ele não sabia, seria um dia muito do que um dia sonhou, entretanto, os sonhos que seriam atingidos eram mais antigos, tão antigos que Coulanges nem lembrava. Esperanças que dividia com seu pai, um pai que há 10 anos não via e cujas ações foram decisivas para este futuro...
O baú das almas
Não veio um anjo torto me pedir pra ser gauche na vida, (como aconteceu com o poeta maior) quando eu nasci.
Nasci na final de uma Copa do Mundo e meu pai quase pula, num grito que deu, do andar em que estava na maternidade, não porque eu tenha nascido é que tinha saído o gol do Brasil e era o do título... Pelo menos foi um bom começo... Já nasci bi-campeão.
Não sei se escrevo as coisas que vejo e sinto, ou se as descrevo. As vezes tenho a sensação de observador apenas, ali na minha frente, um holograma de outra dimensão me dita versos e procuro transcreve-los, como um bom aluno. Depois guardo num baú. Um baú de almas holográficas, que de vez quando solto pra me contarem suas verdades mentirosas ou suas mentiras sérias.
Não aprendi o lado pratico da vida, como, trocar fusível, comprar transformador, rebocar parede, etc. Acho pouco pratico o lado pratico da vida, a não ser pelo fato de que é muito mais fácil cozinhar miojo que feijão, até porque, jamais aprenderia a cozinhar feijão.
As coisas acontecem porque, de alguma forma, precisam acontecer do jeito e no momento que acontecem.
De repente você passa por uma curiosa situação atemporal que o faz pensar que você já esteve neste lugar, nesta mesma cena, com este mesmo clima e mesmas pessoas. Você só não entende porque este instante voltou ou quando foi exatamente que ele ocorreu. Não é assim? Existem algumas explicações que não vem ao caso; o que realmente incomoda é a memória de algo que ainda está pra acontecer. Não há como antecipar o que passou, simplesmente as coisas se acomodam porque as colocamos ali e de uma maneira ou de outra, elas vão se manifestar.
Só sei mesmo é o que acredito. Deus está no controle então, cuidado quando for mudar de canal.
© Dirceu Ramos in “O baú das almas”
veja mais em http://clubedeautores.com.br/book/6443--O_bau_das_almas

